domingo, 20 de janeiro de 2013

Capítulo 10

Danilo chega bufando na gravação do CQC. Não aguentava mais sua família querendo se intrometer em sua vida! Ele já se mudara para São Paulo para morar sozinho exatamente por isso, mas parecia que não tinha sido suficiente. A morte de seu pai e sua irmã, precocemente, ainda o assombravam também... Ele queria tanto a presença de seu pai para orientá-lo, às vezes...
Ele estava bem resolvido com sua sexualidade, nunca tivera dúvidas... E agora ainda havia um cara mexendo muito com ele, mais do que queria admitir...
Ele se considerava solitário: gostava de curtir a vida, sem se prender a nada, nem a ninguém... Mas agora parece que as coisas iam mudando: ele tinha um emprego fixo, e alguém em mente para, quem sabe, compartilhar a vida junto. Será? Tudo parecia uma loucura...
Ele entra no camarim e se assusta ao encontrar Rafinha lá.
- Nossa! Não esperava te encontrar aqui... Não ia viajar para gravar o Proteste Já?
- E vou... Mas parece que a produção teve algum problema com as passagens, não entendi bem. Só me mandaram esperar aqui.
- Ah, sim... 
- E você, vai gravar o Repórter Inexperiente?
- Sim... Preciso me trocar... Você se incomoda?
- Não...
E Danilo começa a se despir em sua frente. Nessa hora, Rafinha deseja ter saído de lá quando teve a oportunidade. Mas agora já era tarde demais... E, para ser sincero consigo mesmo, Rafinha estava gostando do que via: Danilo não era exatamente atlético, mas tinha um belo corpo. Ele começa a ruborizar.
- Sério, não imaginava que você era do tipo tímido...
- Ahn... O quê??? Estava com o pensamento longe... Disse alguma coisa?
- Sei...
Danilo se aproxima perigosamente, e Rafinha se levanta.
- Eu vou ver se já está tudo certo, e se poderei viajar. Nos vemos na volta, boa gravação!
- Espera! - E Danilo segura Rafinha pelo braço.
- Eu acho que você precisa de um beijo de boa sorte: vai precisar.
Rafinha quer sair correndo, mas suas pernas não deixam. Danilo o coloca contra a parede e, quando vai beijá-lo...
- Rafinha! Já podemos ir! Tudo certo?
O produtor entra, e quase flagra o beijo, que acaba não acontecendo. Danilo se afastou habilmente e finge estar arrumando a gravata de Rafinha.
- Sim, agora ele pode ir... Boa sorte, Rafa!
- Er... Boa sorte pra você também...
Rafinha sai meio que inconformado com a interrupção. Não, ele não podia se envolver com alguém do trabalho, não era certo! Mas não podia negar que ansiara pelo beijo, e que gostara do jeito com que Danilo falara seu nome: Rafa, com a voz um pouco rouca...
Ele recorda cada momento naquele camarim durante toda a viagem, mas, quando o avião pousa na cidade vizinha, ele fala para si mesmo que tinha que esquecer tudo isso, e focar no trabalho. Certo?
Mas, a verdade, é que já não sabia o que era certo ou errado...
MALDIÇÃO!
Continua...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Capítulo 9

Larissa, felizmente, estava na sua última aula na faculdade. Não aguentava mais olhar para a cara de Adriana. Ela não parava de insinuar que eu estava apaixonada pelo Oscar, depois daquele beijo! Claro que não! Mas nem ela sabia mais porque tinha beijado Oscar... Ou será que ela sabia? Ela precisava se concentrar em seus estudos... Sim, era isso que devia fazer!
Mas, ainda bem que o dia estava prestes a acabar, pois começava uma cólica chata... Claro que a menstruação tinha que começar justo agora, que ela não tinha trazido nenhum absorvente! Sim, o dia estava péssimo...
O professor dispensa a turma e ela corre para o banheiro: teria que improvisar com papel higiênico mesmo, enquanto não passava numa farmácia.
Ao sair do banheiro, dá de cara com Adriana:
- E aí, queridinha... Como foi beijar o Oscar Filho?
- Você não tem nada a ver com isso!
E vou saindo, escutando os risinhos dela e suas amigas. Como as odiava! As patricinhas sempre tinham sido seu terror... Imaginava que na faculdade as coisas melhorariam, mas... Que nada! Ela não tinha sorte mesmo...
Ela sai da faculdade. O caminho para casa ainda era longo, e a cólica a estava matando. Então ela compra um remédio e absorventes na farmácia mais próxima e, como estava de estômago vazio, decide ir até uma lanchonete, para poder tomar o remédio. Faz o pedido no balcão, e se encaminha com seu lanche para uma mesa. Numa delas ela avista um homem com a cabeça "enterrada" na mesa: parecia estar sofrendo, então ela se aproxima, compadecida:
- Posso lhe fazer companhia?
Ele levanta a cabeça, e ela lhe reconhece:
- Não... Você?
- Ah, não... Olha garota, você já me trouxe muita confusão!
- Como se eu quisesse isso... Não suporto a Adriana!
- Nem eu... Preciso terminar com ela o quanto antes...
- Realmente, ninguém a aguenta... Mas imaginei que, com um chato como você, as coisas seriam diferentes...
- Háháhá... Muito engraçado... Poderia me deixar em paz?
- Calma...
A tristeza na voz dele era tão grande que Larissa se absteve de mais comentários: apenas se sentou na frente dele.
- O que você quer?
- Como eu disse, vou lhe fazer companhia...
- Pensei que também não fosse com a minha cara...
- Quem sabe quando você terminar definitivamente com a Adriana, as coisas sejam diferentes...
- Quer ficar com o namorado dela pra poder se vangloriar, né? Estou cansado de garotas interesseiras no meu pé!
- Calma, não é nada disso!
Larissa tenta impedir que ele saísse, mas já era tarde demais: ele já tinha entrado no carro e ido embora... Deixando a conta dele para ela pagar também!
- Que ódio! Tinha que ser namorado da Adriana! Não sei porque eu queria ajudá-lo...
Larissa fica sentindo raiva de si mesma, mas... Seria só isso?
Ela come seu lanche, toma o remédio, paga as contas e vai embora, confusa.